
A inteligência artificial já começa a transformar diferentes etapas da construção civil, desde o planejamento e o acompanhamento do canteiro de obras até a análise de dados e o relacionamento com o cliente.
Durante o Construsummit, esse foi um dos assuntos que mais ganhou espaço. Entre as projeções apresentadas, destacou-se a possibilidade de que a inteligência artificial automatize até 80% dos processos do setor no futuro. Os outros 20% continuarão dependendo da atuação humana, especialmente da capacidade de analisar informações, compreender contextos e tomar decisões estratégicas.
Mais importante do que o percentual, porém, é a reflexão provocada por ele. Para aproveitar todo o potencial da tecnologia, as empresas precisam conhecer profundamente seus próprios processos.
A inteligência artificial não resolve, sozinha, falhas de organização ou a ausência de informações confiáveis. Ela amplia a capacidade de empresas que possuem dados estruturados, objetivos bem definidos e uma cultura aberta à inovação. Por isso, antes de implementar novas ferramentas, é necessário compreender como cada etapa do negócio funciona e onde estão as oportunidades de melhoria.
Na construção civil, essa transformação pode trazer benefícios para diferentes áreas. No canteiro de obras, a análise de dados pode contribuir para o acompanhamento de prazos, custos, produtividade, segurança e uso de materiais. Na gestão, pode apoiar projeções e decisões. Na jornada do cliente, permite compreender comportamentos, antecipar necessidades e tornar a comunicação mais clara e personalizada.
A inovação no mercado imobiliário não está relacionada somente à maneira como os empreendimentos são planejados e construídos. Ela também precisa acompanhar as mudanças na forma como as pessoas vivem.
Os imóveis passam a incorporar novas funções e expectativas. A casa pode ser, ao mesmo tempo, moradia, espaço de trabalho, ambiente de entretenimento, fonte de renda e até uma pequena unidade geradora de energia.
Essa transformação exige empreendimentos mais flexíveis, preparados para receber adaptações ao longo do tempo e conectados às necessidades de seus moradores. Também amplia a importância das áreas de convivência, da qualidade de vida dentro e fora das unidades e da transparência em todas as etapas do relacionamento com o cliente.
Ao voltar do Construsummit, trouxe comigo muitas reflexões e uma convicção: a inovação começa pela compreensão do próprio negócio.
As ferramentas continuarão evoluindo, mas os melhores resultados virão da combinação entre tecnologia, dados confiáveis e conhecimento humano. Para o mercado imobiliário, esse equilíbrio será fundamental para planejar empreendimentos mais eficientes, relevantes e coerentes com o futuro.
Janaína Ketter
Sócia da Nova Senda Incorporações